quarta-feira, 14 de agosto de 2013

IDGIE



O menino ia chutando pedras pelo caminho
Chutando pedras pelo caminho
Beirando a linha de trem
Que ia de Belford Roxo até Xerém
Passava pela Piam, por Nova Aurora,
Por Babi, por 38...
O menino ia chutando pedras pelo caminho.

Arnoldo Pimentel 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A SALA DE JOSÉ



A SALA DE JOSÉ
Poema dedicado ao meu irmão e mestre Cláudio Rangel


Não era só o violão
Nem as palavras de sabedoria
Era uma vida que entrava na gente
Que você tinha consciência
Naquele momento
Que nunca esqueceria
O sofá
A mesa de centro
A sala em si
Tudo em volta era a metáfora perfeita
Da receita da humildade
Do sorriso que lhe ensinava
Que ser feliz é possível
Apesar das marés
Que sempre chegam
Ao nosso litoral

Arnoldo Pimentel

domingo, 28 de julho de 2013

TRILOGIA HELENA

A ÁGUA E A PONTE
TRILOGIA PARA MINHA MÃE HELENA (IN MEMORIAM) PARTE 1

Do lado de fora das ruas existem sinais
Helena escondia o rosto
Atrás da fumaça do cigarro

E falava sobre a ponta na saída d cidade

Arnoldo Pimentel

O GRÃO E A LINHA
TRILOGIA PARA MINHA MÃE HELENA (IN MEMORIAM) PARTE 2

Olho a rua

Olho a rua
Acendo um cigarro
Passa um carro

Olho a rua
Acendo um cigarro
Passa um carro

Olho a rua

Olho a rua

Acendo um cigarro

Arnoldo Pimentel

O JARDIM E O MURO
TRILOGIA PARA MINHA MÃE HELENA (IN MEMORIAM) PARTE 3

Ainda ouço o barulho
Do motor do carro que se afasta
Lá fora não chove
Chove aqui dentro
No fundo da varanda
Tem um ônibus

E uma cadeira de balanço


Arnoldo Pimentel

domingo, 21 de julho de 2013

JOHN DOE NÃO MORA MAIS AQUI

Acho que vou surtar
Isso é real, não é uma ficção
De trinta em trinta minutos passa um trem pra Central
De dez em dez minutos passa um trem pra Central
Isso é real
Acho que vou surtar
De sete em sete minutos passa um trem pra Central
Isso é real

Não é ficção.

Arnoldo Pimentel

segunda-feira, 15 de julho de 2013

domingo, 30 de junho de 2013

MORTE

Sai pelas ruas gritando por meus direitos
Gritei pela liberdade de expressão
E por meus direitos
Mas eles atiraram
Eles sempre atiram


Arnoldo Pimentel

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Poetas do zine 12


          E a Gambiarra Profana segue de algum lugar para lugar algum, em sua décima segunda edição, nos traços de Yade, na numerologia de Inon, na reflexão de Adelino Filho, no dadaísmo de Sergio-SalleS-OigerS, no protesto de Arnoldo Pimentel, na denúncia de Rodrigo Souza, na escolha de Lenne Butterfly, na solidão de Vagner Vieira, na contemplação de Márcio Rufino, na comunhão de Euclides Amaral, na atração de Gabriela Boechat, no romance de Henrique Souza, no desabafo de Souza Lopes, no instante de Sil, no astral de Matheus José Mineiro, no toque de Vinícius Siqueira, na certeza de Moduan Matus, no convívio de Fabiano Soares da Silva, na brincadeira de Jorge Medeiros e, de certa forma, nos poetas que foram publicados desde a primeira edição em 1999. 


Música: Vagner Vieira e Sergio-SalleS-oigerS.
Edição de imagens: Lenne Butterfly.
Edição de Vídeo: Sergio-SalleS-oigerS.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

DAKOTA

A sala não ficará vazia
Não importa as cinzas
Não importa os escombros
Não importa se o ônibus já dobrou a esquina
Ou se abril nunca mais terá todos os dias.


Arnoldo Pimentel

sexta-feira, 24 de maio de 2013

IWO JIMA

As poucas crianças que restaram,
Ficaram sentadas no assoalho de madeira,
Da sala sem móveis, imóveis.


Arnoldo Pimentel

terça-feira, 21 de maio de 2013

DEZESSEIS


Aos sábados pela manhã eu vou à casa de meu pai
Para conversarmos um pouco
O café tem sabor de família
E não é igual ao da padaria
Folheio os jornais para ver as notícias
E damos nossas opiniões
Passo os olhos nos filmes
Os faroestes principalmente, que gostamos tanto,
Mas o que mais gostamos de falar
É sobre os seriados antigos, tipo a “Deusa de Joba” e “Jim das Selvas”
As matinês do seu tempo de rapaz
Tempo que não volta mais

Eu penso em fazer cinema um dia
Fazer um documentário
Mas sobre pessoas comuns
Nada de falsos heróis ou super heróis inventados
Só pessoas comuns.

Arnoldo Pimentel

quinta-feira, 16 de maio de 2013

sábado, 4 de maio de 2013

WAY


Minas fica logo ali, atrás daquele pequeno bosque,
Do outro lado do riacho, que pode-se atravessar andando.
Hoje o almoço é angu, galinha de quintal,
Feijão feito na lenha, arroz branco e farofa de linguiça.
Depois é só deitar na rede e descansar,
Assistindo “Plano 9 do Espaço Sideral” do Ed Wood ou
Ouvindo “Stairway to Heaven” com Led Zeppelin.

Arnoldo Pimentel

quarta-feira, 1 de maio de 2013

poeminha astral

Ficava  um pedacinho do rio Piranga
no vôo das garças e nos mantras das capivaras.
o rio engordava e emagrecia e deitava e escorria no meio da cidadezinha
até eu tinha um pedaço do rio em mim.
sem stress hidrico,eu queria era ir fluindo

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Oscilações e Cantada da Sil


OSCILAÇÕES, 2º livro da poeta Sil, traz sonetos, versos livres, poemas-instalações, haicais, alguns minicontos e desenhos da autora que é formada em Programação visual, pela UFRJ e, também, trabalha como animadora cultural. O livro será lançado em 25/04/2013 no evento ENCONTROS DE POETAS & AFINS, organizado por Moduan Matus e Sil, no Botequim Estação Floresta, em Nova Iguaçu/RJ.



CANTADA
                         (Sil)

Provoco minha vítima
Entre olhares e sorrisos


Procuro uma rima
N’alguns versos imprecisos


E depois lhe ofereço
Meu amor e meu apreço

Numas mal traçadas linhas,
-Na sua casa, ou na minha?



segunda-feira, 15 de abril de 2013

EDEN / JAMES (Arnoldo Pimentel)



EDEN

Tenho amigos que viveram entre sem tetos.
Sei que aprenderam e ensinaram,
E o quanto ainda ensinam e fazem sorrir.

Houve um tempo
Em que a minha janta era sopa de legumes,
Eu almoçava e jantava sopa de legumes.
Todos os dias, durante quatro anos seguidos, foram assim.

Nem por isso eu deixei de gostar de sopa ou de legumes.
Nem por isso eu me sentia menor.
Sei que dali tirei muito coisa boa que até hoje existe em mim.

Numa noite eu queria ver,
As 2:30 da madrugada, o que existia
Ao Leste do Eden.
Trabalhei até as 2:00 da madrugada

Mas consegui ver o que existia
Ao Leste do Eden.
Acho que  James nasceu ali.

Arnoldo Pimentel

JAMES

Olho ao meu redor
Para ver quem eu sou e me encontrar
As árvores estão na paisagem
Com os galhos virados para o infinito
Assim como minhas mãos e meu coração
Em busca das benções de Deus
O rio percorre o leito estreito
No âmago do canyon
Para encontrar a liberdade a céu aberto na pradaria
Olho no meu interior
E vejo as pessoas que eu amo
E as pessoas que me amam
E vejo seus corações
Onde sempre estarei

Arnoldo Pimentel

domingo, 7 de abril de 2013

DANIEL NA COVA DOS LEÕES


Os quartos são pequenos
Não têm espaço pra quase nada.
O olhar que estava na janela
Nunca mais apareceu e nunca foi embora.

Com binóculos dava pra ver o Cristo
E ler Suas Palavras,
Mas não dava para ver o futuro
Porque o ônibus não parava na esquina

E do outro lado do rio os prédios são cinza,
As pessoas são vultos,
E as flores são artificiais.

Tem um farol que se esconde atrás das nuvens
Sempre que alguém chega à beira da praia
E olha o lago.

Arnoldo Pimentel