quarta-feira, 6 de novembro de 2013

"FAROL DE SÃO TOMÉ" OU "É PRECISO PARAR DE CHORAR"




FAROL DE SÃO TOMÉ OU É PRECISO PARAR DE CHORAR
Dedicado aos amigos Fabiano Soares da Silva e Rosilene Ramos
Obs: “Farol de São Tomé” é título de um poema Do Fabiano
“É preciso parar de chorar” é um verso do poema
“Adorno” da Rosilene


FAROL DE SÃO TOMÉ OU É PRECISO PARAR DE CHORAR
Passam das dez horas
E o toque de silêncio
Avisa que é hora de apagar as luzes

Minha luta contra o regime opressor é eterna
Assim como minha busca em compreender Deus

Quase todas as camas estão vazias
E forradas com lençóis brancos
Vou deitar-me numa lá no canto
E ouvir o rádio baixinho para tentar dormir

Muitas músicas são proibidas
Aqui, quase tudo é proibido,
Por isso, ouço o rádio no volume mínimo,
Para que os guardas não possam ouvir
E vir com seus paus de barraca

A carceragem fica junto ao muro dos fundos
E sempre cabe mais um
Eu já estive naquelas celas, sei muito bem com o é

Eu tenho um livro de poesias
De uma poetisa amiga minha
Em um de seus versos ela diz
“Que é preciso parar de chorar”

Todas as noites aqui são escuras
E os dias não existem
Este lugar está cheio de fantasmas
Em noites de tempestade eles são visíveis
Eu sei, sempre os vejo.

Arnoldo Pimentel

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

MONÓLOGO (Trilogia dos Lobos Parte III)




MONÓLOGO
TRILOGIA DOS LOBOS PARTE III
                                              
Eu acredito em Deus
Eu não acredito em Deus
Eu acredito em Deus
Eu não sei mais em que acreditar
Eu acredito em Deus

Ontem o padre falou sobre o amor ao próximo
Falou sobre Jesus e sobre o que Ele ensinou
Acho que Jesus nunca vai conseguir
Colocar amor no coração do homem
Por mais que Ele queira

Todas as manhãs eu tinha que rezar
E tomar café
Só depois eu podia ir brincar no quintal
Eu brincava, corria, até cansar
Depois eu ia até a cerca de madeira

A cerca era pintada de branco
Eu me encostava e ficava olhando lá longe
Os prédios das cidades

Eu queria muito ir às cidades
Eu acreditava que nas cidades eu poderia ser...
Ser alguém de verdade
Eu acreditava nas cidades

Mas não podia atravessar a cerca de madeira
Ali dentro eu tinha o quintal
Eu tinha as bênçãos, as razões, as ordens, os medos

O livro virou decoração
As casas estão vazias
As igrejas estão vazias
O olhar olha de um outro jeito
Eu queria muito ir às cidades

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"CHE"

"CHE"
Dedicado ao meu amigo, meu irmão e mestre Sérgio Salles-Oigers

Nós éramos tão jovens
Eu e alguns amigos estávamos cantando
“Tardes em Itapuã” no fundo do ônibus
Depois de termos assistido “Rambo”
Em estreia nacional

Eu queria muito ter podido pegar em armas, em coquetel molotov
Ter podido lutar pela liberdade
Assim como você o fez

Mas já era tarde demais
Eles já haviam dado o tiro de misericórdia
E escrito “I Love You”
Numa longa fila de cruzes
Sob uma das quais, eu estou.


Arnoldo Pimentel

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

MONSTROS (PARTE III)



TRILOGIA MONSTROS
PARTE III
 
Um dia fui ao cinema assistir
Alien – O Oitavo Passageiro
Entrei na escuridão, na atmosfera do filme
Fiquei olhando aquele planeta tão distante
Tão isolado de tudo
Eu hibernar
Hibernar no espaço sideral
Mesmo que fosse como David ou HAL
Ficar bem longe todas essas coisas
Inclusive das coisas que inventaram
Para nos salvar


Este poema faz parte da Trilogia Monstros
Abaixo os links dos outros poemas
Basta passar o mouse

Monstros Parte I

Monstros Parte II


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

ANJO EXTERMINADOR



Nada aqui me pertence
Nem quando estou com os braços abertos
Existe fome e escravidão na África
Existe fome e escravidão na Ásia
Existe fome e escravidão em toda América Latina
E as pessoas ficam orando nas igrejas
Assistindo futebol, bebendo nos barres,
Cantando e declamando poesia ao luar

Arnoldo Pimentel

quinta-feira, 29 de agosto de 2013