Um velho/novo vídeo inédito de uma apresentação da Gambiarra Profana no sarau da Trupe do MERDA de pouco mais de um ano atrás onde Marcelle, Vagner Vieira, Eduardo Vinícius Soares e Sergio-SalleS-oigerS executam o poema “Desejos” de Jorge Medeiros musicado por Sergio-SalleS-oigerS que foi publicado pela primeira vez no zine Gambiarra Profana 7 em 2009.
segunda-feira, 9 de julho de 2018
sexta-feira, 8 de junho de 2018
Sarau do Merda - 18ª edição
A Gambiarra Profana estará lançando a edição 16 do seu zine no Sarau do Merda - 18ª edição, então, brota lá que vai rolar outros lances bacaninhas como Alexandra Mércia, Dudu De Morro Agudo entre outros lances!!!
[ATRAÇÃO CONFIRMADA]: Gambiarra Profana chega mais para apresentar a 16ª edição do seu zine, criado coletivamente com a colaboração de inúmeros artistas da BF.
Gambiarra Profana é o nome de um zine criado em 1999 na cidade de Belford Roxo por Sergio-SalleS-oigerS, com o intuito de publicar suas poesias, consideradas mal escritas e de temáticas inadequadas. Desde seu primeiro número já se apresentou como obra coletiva, reunindo artesões da palavra que estavam na mesma situação. Fruto de um encontro conceitual, o seu segundo número passou a contar com a parceria da Folha Cultural Pataxó, que nesses 19 anos resultou em 16 zines, onde foram publicados 82 poetas e 245 poesias, 18 livros, 82 vídeos e mais de 54 poemas musicados.
Se quiser conhecer um pouquinho mais, se liga só nesse clipe, com uma das obras que está no zine:
16° Zine Gambiarra Profana para baixar e imprimir
Ah, se minha vó tivesse dente... Dona Alaíde disputaria a tapa o fanzine 16 da Gambiarra que é Profana. Gambiarra o quê? Se liga: Arnoldo ("Overdose"), Moduan ("Novas possibilidades"), João ("Os vampiros da meia-noite"), Eliana ("Puta santa"), Jorge ("Desajeitadinho")... Eita, porra! Lá vou eu escrever apresentação clássica. Quem vos fala é Vagner, de texto inominável, igual ao da Sil. Por que diabos este cara não escreve sobrenome? A lista é maior que a folha, eu preciso entregar a tempo esta homenagem. Pra quem não entendeu, Cristiano ("O cão") desenhou, bem na arte da capa da edição. Cheers.
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| Capa da edição 16 do Zine Gambiarra Profana |
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| Verso da capa da edição 16 da Gambiarra Profana |
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terça-feira, 7 de novembro de 2017
A BATALHA NEGRA OU OS HOMENS QUE ESTAVAM NA VARANDA SE PROTEGENDO DA TEMPESTADE SOBRE O BOSQUE
- Menininho, venha aqui pra dindinha ajeitar esse uniforme. Hoje é seu primeiro dia na escola, tem que ir bonito.
O menininho foi até a dindinha que ajeitou o uniforme.
- Menina, cuidado com ele no caminho pra escola.
- Está bem tia.
- Agora vão pedir a benção a vovó e a mamãe.
A menina e o menininho foram a até vovó, a abraçaram e disseram:
- Sua benção vovó.
- Deus abençoe vocês.
Depois foram até a mãe:
- Sua benção mamãe.
- Deus abençoe.
A mãe se abaixou, abraçou e beijou o menininho, depois abraçou e beijou a menina.
- Não se esqueçam da dindinha. – Disse a vovó.
Eles abraçaram a dindinha e pediram a benção.
- Deus os abençoe meus anjos.
Quando estavam saindo pela porta da sala, a mãe disse:
- Menina, cuidado com ele, não atravesse na bomba, é perigoso, passe pelo parque para atravessar a rua.
- Sim senhora mamãe.
Eles saíram da casa, a menina fechou o portão e seguiram o caminho da escola pelo canto da calçada. Foram devagar e o menino parecia tranquilo, sem aquele medo da escola que era tão comum, depois de alguns minutos caminhando passaram pelo parque.
- A mamãe falou para atravessar pelo parque. – Disse o menino.
- Pela bomba é mais perto, não tem perigo. – Disse a menina
- A mamãe falou. – Disse o menino.
- Está bem, vamos pelo parque. – Disse a menina voltando e entrando no parque.
O parque de diversões ficava num terreno grande e só funcionava nos fins de semana, mas tinha a passagem livre e as mães preferiam atravessar por ali e não pelo posto de gasolina, chamado por alguns de bomba. Eles atravessaram a rua e seguiram em direção à escola. Um pouco antes da escola o menino parou.
- Menina, que lugar é esse todo de pedra?
- É um lugar aonde as pessoas buscam coisas invisíveis.
- É bonito lá dentro?
- Dizem que é muito bonito.
- E lá em cima, o que é?
- É uma torre, de lá dá pra ver muito além do mar.
- E você acredita em coisas invisíveis?
- Acredito, mas às vezes tenho medo.
- Medo de que?
- De crescer e deixar de merecer.
- Mas todos nós vamos crescer.
- É disso que tenho medo, de crescer.
- De crescer?
- De crescer e não ver mais o céu.
- Mas...
- Agora chega de conversa, chegamos na escola.
A escola parecia grande, e ficava ao lado da igreja de pedra, tinha dois pinheiros na entrada e dois lá nos fundos, depois do pátio, junto ao muro. O menino sentiu um certo tremor, mas foi em direção ao portão sendo puxado pela menina que estudava ali mesmo, ele olhou e entrou.
- Menininho, venha aqui pra dindinha ajeitar esse uniforme. Hoje é seu primeiro dia na escola, tem que ir bonito.
O menininho foi até a dindinha que ajeitou o uniforme.
- Menina, cuidado com ele no caminho pra escola.
- Está bem tia.
- Agora vão pedir a benção a vovó e a mamãe.
A menina e o menininho foram a até vovó, a abraçaram e disseram:
- Sua benção vovó.
- Deus abençoe vocês.
Depois foram até a mãe:
- Sua benção mamãe.
- Deus abençoe.
A mãe se abaixou, abraçou e beijou o menininho, depois abraçou e beijou a menina.
- Não se esqueçam da dindinha. – Disse a vovó.
Eles abraçaram a dindinha e pediram a benção.
- Deus os abençoe meus anjos.
Quando estavam saindo pela porta da sala, a mãe disse:
- Menina, cuidado com ele, não atravesse na bomba, é perigoso, passe pelo parque para atravessar a rua.
- Sim senhora mamãe.
Eles saíram da casa, a menina fechou o portão e seguiram o caminho da escola pelo canto da calçada. Foram devagar e o menino parecia tranquilo, sem aquele medo da escola que era tão comum, depois de alguns minutos caminhando passaram pelo parque.
- A mamãe falou para atravessar pelo parque. – Disse o menino.
- Pela bomba é mais perto, não tem perigo. – Disse a menina
- A mamãe falou. – Disse o menino.
- Está bem, vamos pelo parque. – Disse a menina voltando e entrando no parque.
O parque de diversões ficava num terreno grande e só funcionava nos fins de semana, mas tinha a passagem livre e as mães preferiam atravessar por ali e não pelo posto de gasolina, chamado por alguns de bomba. Eles atravessaram a rua e seguiram em direção à escola. Um pouco antes da escola o menino parou.
- Menina, que lugar é esse todo de pedra?
- É um lugar aonde as pessoas buscam coisas invisíveis.
- É bonito lá dentro?
- Dizem que é muito bonito.
- E lá em cima, o que é?
- É uma torre, de lá dá pra ver muito além do mar.
- E você acredita em coisas invisíveis?
- Acredito, mas às vezes tenho medo.
- Medo de que?
- De crescer e deixar de merecer.
- Mas todos nós vamos crescer.
- É disso que tenho medo, de crescer.
- De crescer?
- De crescer e não ver mais o céu.
- Mas...
- Agora chega de conversa, chegamos na escola.
A escola parecia grande, e ficava ao lado da igreja de pedra, tinha dois pinheiros na entrada e dois lá nos fundos, depois do pátio, junto ao muro. O menino sentiu um certo tremor, mas foi em direção ao portão sendo puxado pela menina que estudava ali mesmo, ele olhou e entrou.
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