domingo, 4 de novembro de 2012

Platônico

O que nos une
um só sentimento
recíproco
ou uno?
De um lado só
De uma mão única?
Nossos mundos distintos
Tão vorazes,tão lúcidos...
Não, não! o meu é
                             confuso...
                             nublado...
O seu tem paisagem,
Pôr do sol, camaradagem
O meu mondo tem relento,
                       tem rebento remelento,
Meu mundo tem uma dor
                                      infinda...
E só me equilibro
quando te vejo
E só respiro ar puro
quando sinto seu cheiro...
Oh, ser... divinamente humano!
Te coloco em alturas
                                inatingíveis...
não quero perder o que pouco possuo
ou ter a certeza
que muito já tive se vir a perdê-lo.
Então me acostumo
a tê-lo em meus sonhos
                                   (mesmo acordado)
a ver-te em encontros
                                 cotidianos e corriqueiros.
Melhor ficar mudo
e amá-lo em silêncio!

                                   Jorge Medeiros
                               (à um amor vivido no passado, ou, quiça, num futuro, em outra encarnação futura)  

3 comentários:

  1. Um poema de rara beleza... Existencial, contemporâneo... Sinceramente, A P L A U S O S ! ! !

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  2. eu que sou cheia de platonices. bem bacana.

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