segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PEQUENO COMETA EM TROCADILHO NA VIA LÁCTEA QUE VI DO FAROL DE NOVA AURORA



PEQUENO COMETA EM TROCADILHO NA VIA LÁCTEA QUE VI DO FAROL DE NOVA AURORA
Este poema tem pequeninos trechos que lembram poesias de amigos do Gambiarra Profana 

Eu sei que não posso abrir a janela do ônibus
Por causa do ar condicionado
Apesar da chuva que cai
Bem aqui ao lado

Li algumas trovas de amor
Para tentar aprender a fazer
Apenas para te surpreender
Apenas para mostrar a você que aprendi a escrever
Que aprendi a sentir o amor como você
Como se sente e se vê

Mas acabei mesmo
Olhando o pequeno farol
Que ilumina o caminho da embarcação
Que me levará até os girassóis
Que camuflam seu coração

Por volta das 22 horas preciso ir embora
E tentar encontrar você
Na pequena ilha com casas nas árvores
Mesmo que não pare de chover
Poder olhar lá de cima até onde o mar se finda
Até onde a névoa me ensine a pintar a poesia que há
A olhar no seu olhar e pintar no azul do mar
Todo mel do seu meigo olhar

Vou ler Farol de São Tomé mais uma vez
E procurar as estrelas que embelezam meu mar
Do pequeno farol
Que me acolherá
Enquanto eu conseguir existir
Sem ter você por aqui

Tem horas que fico ouvindo as sonatas de outono
Que cobrem meu jardim de desejos com acordes
Feitos de flores
Flor de lis
Flor de lótus
Flor da pele
Flor da vida

Um dia vou procurar nos olhos
Ou nos versos do Curupira
E imaginar o que fazer
Para ter você

Quando ouço trovoadas
Atravesso a nado as cataratas do Niágara
Só para me esconder embaixo da escada
E esperar o cometa trocadilho aparecer
Ou quem sabe você me escrever

Hoje eu sei que o meu verde oliva
Foi apenas uma casa mata temporária
Uma trincheira agrária
Mas que me ensinou a olhar além dos olhos
Que são a porta do coração que queremos conhecer
Por isso eu sei o quanto o vilarejo Rangel me ensinou
O quanto aprendi a amar
Só depois dessa minha moradia passei a olhar
O horizonte que está depois do verbo sonhar
E que me levaria a perder o medo de navegar
Pelas trilhas da solidão
Para me encontrar

Eu sei que meu olhar percorreu estradas vazias
As imagens que enfeitavam minhas estradas eram apenas miragens
Que não tinham nada a oferecer
Além da ilusão de saciar a sede por alguns dias
Mas sem nunca conseguirem mostrar
A verdadeira utopia

Meu sentimento não é feito apenas do sentir
Mas também do beijo que a lua saboreou do sol
Apesar de estar tão longe, tão longe que o mar
Não conseguiu banhar depois da terra do fogo
E antes da cordilheira do meu pomar
Que foi feito apenas para te amar

As nuvens cinza sempre aparecem
No meio da noite tentando clarear o céu
Que vive cobrindo minha caminhada
Mas sei que quando eu entrar no ônibus
Na pequena e desolada parada empoeirada
Olharei nos olhos das nuvens e seus olhos azuis
Irão sentir que esqueci os dias que elas clarearam
Com  cinza pintado de azul frustrado

Talvez minhas angústias acabem
Quando o ônibus chegar ao meu princípio
E eu olhe nos olhos da estrada do meu destino
Que poderá estar abrindo o caminho
Para eu viver o amor que me foi prometido

2 comentários:

  1. Adorei sua poesia. de todas as formas, pesos e levezas vc sempre emociona. Grande beijo.

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